Um jogo para se lembrar de Loulou

Posted on Set 22, 2017

Amanha sábado 23 de setembro 2017 o  Montpellier recebe o PSG para 7a rodada da Ligue 1.

Um jogo marcado por 2 ausências importantes : do lado do PSG, Neymar esta sendo poupado para a Champions e ao mesmo tempo vai poupar o time (e o mundo inteiro) de mais uma situação ridícula com seu amiguinho Cavani.
Do outro lado, e essa é a ausência que mais me importa, não veremos a gorda silhueta do eterno Presidente-Fundador do MHSC (Montpellier Hérault Sport Club), Louis Nicollin, falecido no dia do seu aniversário de 74 anos, 29 junho 2017.

Naquele dia, foi arrancado um pedaço da história do futebol francês. Ele era um pioneiro, um apaixonado, um excessivo, um generoso, uma figuraça, um dinossauro.

A esquerda, torcendo pelo Lyon no Gerland

Criança, ele é torcedor fanático do Lyon. Assiste o seu 1° jogo em 1955 no estádio Gerland (Lyon 2-0 Troyes).
Ele não gostava muito de estudar. Não passou 3 vezes no Baccalauréat (equivalente ao ENEM) por causa de 3 notas “0” em francês. “Porque contava jogos de futebol na prova” conta ele.
Isso não o impediu de se tornar um grande homem de negócios. Fez da pequena empresa familial de coleta de lixo um império, principalmente graças a sua personalidade de líder.

Em 1967, ele chega em Montpellier e 7 anos depois ele funda o clube do Montpellier Paillade, bairro popular da cidade. Isso será o grande amor da vida dele, “a filha que eu não tive” como ele dizia.
Em apenas 6 anos, ele leva o clube para a 1a divisão do futebol francês. Em 1980, a aventura na elite dura apenas uma temporada. Ele voltará de forma mais duradoura em 1987. Naquela temporada, o acesso a 1a divisão é decidido ultima rodada de forma dramática para ele pois contra o Lyon, o seu outro time de coração, 2° colocado. Montpellier precisa do empate mas acaba ganhando 3-1. No elenco, um garoto que seria campeão mundial 11 anos depois, o Laurent Blanc.

Com o trofeu da Copa da França ao lado da mãe

Três anos depois vem o 1° grande título, a Copa da França de 1990.  Com Blanc, Cantona, Carlos Valderrama (o colombiano considera o Nicollin como seu segunda pai) e no banco, Aimé Jacquet.

Em 2012 chegará o ápice, o titulo supremo de campeão francês, na frente do poderoso PSG já nas mãos do Qatar. O pequeno clube do homem que “trabalha no lixo”, como ele gostava de lembrar, venceu os cheiks bilionários.
A vitória do futebol raiz, de um clube que ele criou, colocando o dinheiro do proprio bolso durante 43 anos. Onde nenhum jogador ganhava acima de 100 000 EUR por mês, porque ele achava isso “indecente, um absurdo”.

Grande amante do esporte em geral, ele colecionava camisas de futebol. Tem mais de 4.000 peças no museu que ele montou em casa, provavelmente o mais bonito no mundo.
Amigo pessoal de Michel Platini, o homem que amava os grandes jogadores era jovial, humano, simples, generoso e sincero. Com ele o papo era reto (o que le custou umas polémicas).

Loulou – como era chamado – era o último presidente-fundador de clube em atividade e será o mais longevo da historia do futebol francês por muito tempo ainda. Uma vida inteira ao lado de um clube, um futebol a moda antiga…saudades…

Aqui uma matéria do TF1 (em francês) que resume muito bem a trajetória de Loulou.