Salve-se-quem-puder do futebol francês

Posted on Mai 27, 2020

Mais devastador do que o próprio vírus Covid-19 são os efeitos dele no futebol francês. Já que os jogadores estão em casa, o foco da mídia fica nos dirigentes e o que eles mostram é patético.

O salve-se-quem-puder criado pela pandemia jogou o futebol francês num campo de brigas, traições, ciúmes, favores, alianças, mágoas.

Cada presidente de clube estava calculando suas perdas quando ficou surpreendido pelo anúncio do 1° ministro Edouard Philippe de encerrar a temporada, no 28 abril. Essa decisão precipitada abriu as hostilidades para estabelecer as classificações e distribuir os presentes e os castigos. 

Ali começaram as tramas, o jogo de bastidores, a politicagem. Um presidente de clube (Paris FC, Ligue 2) muito intimo de Macron, por meio do filho, falou no ouvido dele para apoiar o congelamento das posições, salvando sua pele na Ligue 2 por 2 pontos enquanto o Le Mans cai pra terceirona, pelo saldo de 4 gols.

Na Ligue 1, os principais perdedores são Lyon que fica sem competição europeia e Amiens, caindo para a Ligue 2.

Não existe solução mais justa para encerrar um campeonato, todas são injustas. Ver um campeonato ser decidido nos corredores da Federação, da Liga, dos Ministérios e até do Palácio Presidencial é ver a negação do esporte e seus valores. O espetáculo apresentado pelos atores só podia ser feio, entre xingamentos em reunião, ameaças, alianças improváveis. votos de uma instância derrubado por outra…Quando o futebol não pode ser jogado desportivamente, em campo, ele não tem jeito, nada faz sentido.

Os alemães entenderam isso e as outras ligas também, esperando o momento para JOGAR.

Existe a possibilidade de fazer uns belos playoff/down de mata-mata, o formato mais emocionante que tem. Devolver as emoções ao torcedor que tanto deixou de sentir durante meses. Para nao sair dessa crise terrível pela porta dos fundos.